Choque cultural | Culture shock

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Se quando você viaja a turismo para um outro país ou até mesmo outra cidade já é possível notar certas diferenças de costume, imagine o que acontece quando você tem que se adaptar a morar num país totalmente novo… Ok, agora imagine o que acontece quando você tem que conviver com gente de diversas origens, às vezes lugares dos quais você ouviu falar muito pouco (expliquei isso no meu último post). Nesse caso, meus queridos, só existe uma expressãozinha para definir a situação: choque cultural. Aaah, aquela sensação de estranheza, incompreensão e quem sabe até aversão… Mas com um pouco de jogo de cintura (e bastante respeito, claro) tudo acaba se encaixando depois de um tempo e comigo não foi diferente; então sem mais enrolação, vou contar para vocês minhas impressões sobre esse ambiente multicultural.

Desculpa, você pode repetir?”

É fato que no Brasil quase todo mundo aprende inglês americano. Eu mesma passei 11 anos da minha vida ouvindo o sotaque dos nossos vizinhos estadunidenses muito mais do que sotaque britânico, desde que comecei a estudar inglês, então dá para imaginar o meu pânico assim que eu cheguei e percebi que o jeito sofisticado de falar dos britânicos não era muito claro para mim. Apesar de ter levado só uns dois dias para acostumar, tem alguns sotaques mais fortes que ainda me deixam perdida e já cheguei a ter de pedir para repetirem uma frase três vezes e continuar sem entender nada. Mas ainda tenho fé de que um dia vou desenvolver um autêntico sotaque britânico! hahaha

Além disso, nem sempre é fácil entender o que os outros estrangeiros querem dizer em inglês. Dois brasileiros se falando em inglês se entendem mesmo que o sotaque de um deles seja forte, afinal estamos acostumados com os mesmos sons; mas tentar entender um italiano ou um francês, que tem tendência a ter sotaque marcante, pode ser bem difícil. Mesmo que a pessoa tenha um inglês muito bom tem sempre certas palavras nas quais a gente trava, é normal… E quando a gente tenta traduzir uma expressão da nossa língua nativa ao pé da letra?? Aí é que ninguém se entende…

Adolescente é tudo igual??

Tem fofoca, tem  drama, tem os grupinhos, tem menina nojenta, festa, crush e fura-olho. Mas quando se trata de conviver com o pessoal da escola também tem muita coisa diferente. A primeira coisa que eu notei foi a quantidade de maquiagem que algumas meninas usam: é base, pó, delineado, sombra, contorno… tudo de manhã cedo e para ir pra escola! Também tem umas que vem super produzidas (ex: casaco de pele) enquanto no Brasil quase todo colégio tem uniforme e mesmo que não tivessem creio que um look mais casual seria mantido. Também achei super esquisito a quantidade de adolescente que fuma cigarro aqui: enquanto no Brasil não conheço ninguém da minha idade que fuma regularmente (sem ser em festas) eu diria que aqui 35% dos alunos da minha escola fumam. Detalhe: aqui é legal fumar se você tem acima de 16 anos e tem uma área para fumantes NA ESCOLA (!!!!!!). Vale levar em consideração que a maioria dos alunos daqui são da Europa mesmo, onde as pessoas fumam consideravelmente mais do que no Brasil

Qualidade de vida

No começo estranhei muito o fato de poder andar sozinha a noite na ruazinha aqui da escola, que geralmente é bem deserta; estranhei também os ônibus que quase nunca lotam e passam sempre no horário, sem estresse e tudo bem organizado, mas nada se compara a minha surpresa em relação ao sistema público de saúde (NHS): hospital vazio, sem necessidade de marcar horário, atendimento rápido e bom e ainda por cima medicamento de graça se você é estudante e tem entre 16/17 anos. É, meus queridos, nem todo choque cultural é um sacrifício…

Comida

Ah, uma picanha suculenta com farofa, maionese e vinagrete… Um feijoada com arroz… Um brigadeirinho, pastel frito na hora, coxinha recheada com catupiry… Opa, me distraí! hahaha Brincadeiras à parte, a culinária é de longe o aspecto da cultura brasileira que me faz mais falta. Apesar de existirem muitos restaurantes bons aqui, os ingleses tem o hábito de comer muita porcaria: sanduíche no almoço, bacon no café da manhã, batata frita de acompanhamento todo dia, então eu sofro com a comida da escola que também não é gostosa como a que eu tinha em casa. Acho que se eu disser para vocês que o prato “tradicional britânico” é peixe frito com batata frita (fish and chips) vocês já podem ter uma ideia do que eu tô falando… O lado bom dessa história é que desde que me mudei para cá comecei a experimentar várias coisas novas, como comida tailandesa que hoje mora no meu coração ❤ Felizmente tem também um restaurante brasileiro muito bom aqui em Oxford.

Educação e relacionamentos

A polidez britânica é uma coisa impecável mas nada barra o calor do brasileiro. Os ingleses vão SEMPRE te cumprimentar, agradecer pelas mínimas coisas (ex: dizer “thank you” ao descer do ônibus e quando você segurar uma porta para eles), pedir desculpa pelo que quer que possa ter sido inconveniente etc mas o brasileiro é aquele povo que vai puxar assunto na fila do banco, te apresentar como “amigo” 5 minutos depois de te conhecer e muitas vezes ficar feliz em poder te ajudar de alguma forma. Morando aqui, eu tenho muito mais facilidade e me sinto mais a vontade de puxar assunto com um brasileiro qualquer do que com um desconhecido de outra nacionalidade, coisa que uma amiga minha norueguesa por exemplo nunca faria.

Brasileiro é informal: fala e ri alto, abraça, dá aqueles beijinhos encostando uma bochecha na outra. Os britânicos vão te cumprimentar com um aperto de mão se vocês não íntimos, por mais informal que seja a situação. Aliás, não só os britânicos: uma amiga minha americana diz que mesmo nos Estados Unidos essa afetuosidade toda não é normal e ela não beija nem os pais na bochecha (!!!).

Relacionamentos amorosos são outra incógnita, tudo muito sério. Pelo que meus amigos me contaram, na maioria dos países não existe o conceito de “ficar sério”, vocês saem algumas vezes e puft! Estão namorando, não precisa de pedido nem nada. Pode também rolar aquela ficada só de uma noite (apesar de eles não terem um termo para “ficada”), mas isso também não é comum como no Brasil. Observando os relacionamentos dos meus amigos eu também notei que muita gente quer relacionamentos estáveis (até os homens querem namorada, na-mo-ra-da!) o que nem sempre é o que acontece no Brasil.

Essas foram basicamente as maiores diferenças que eu notei… Muita coisa muda de um país para outro mas é esse emaranhado de culturas que faz minha estadia aqui valer a pena! Gostaram? Deixem suas perguntas nos comentários.. 😉


If when you travel as a tourist to another country or even to another city you can already notice certain differences in people’s habits, imagine what happens when you actually have to move and adapt to a new country. OK, now imagine what happens when you have to live with people from various backgrounds, sometimes from places you have heard very little about (I explained that on my last post031616_aasu-block-party-culture-shock-aasu-week-2016). In this case, my friends, there is only one expression that defines the situation: cultural shock. Aaah, that feeling of strangeness, incomprehension and maybe even aversion… But if you know how to be tactful (and respectful, of course) everything works out in the end, and with me it wasn’t different; so let’s go straight to the point and let me tell you my impressions about this multicultural environment.

“I’m sorry, could you repeat?”

It’s a fact that in Brazil almost everyone learns American English. I spent 11 years of my life (since I started to learn English until the day I moved to the UK) listening to our US neighbours’ accent much more than I listened to British accent, so you can imagine how I panicked as soon as I arrived here and noticed that the sophisticated way the British speak was not very clear for me. Even though it took me only about two days to get used to it, there are still some stronger accents which I find very hard to understand (shoutout to my friend George lol) and I’ve already had to ask for people to repeat a sentence three times and not understand anything at all. But I’m still hoping that one day I’ll develop an authentic British accent! hahaha

It can also be hard to understand what other non-native speakers say. Two Brazilians can definitely communicate in English, even if one of them has very strong accent, since we’re used to the same sounds; but to try to understand an Italian or a French, who tend to have a very characteristic, accent, isn’t always easy. Even if the person has a very good English it’s normal to get stuck or not know how to pronounce certain words. And when we try to translate expressions from our languages literally… Well, things get complicated lol.

Teenagers are all the same??

There’s gossip, there’s drama, there are the squads, parties, crushes and fake people. But when it comes to people from school there are also a lot of differences. The first difference I notice was the amount of makeup some girls here wear: foundation, powder, eyeliner, eyeshadow, contour and highlight… all of that early in the morning to go to school! There are also some girls who actually dress up to go to school (eg wear fur coats) while in Brazil almost every school has a uniform and even if they didn’t have one I think the girls would wear more casual looks. I also found it very weird the amount of teenagers who smoke cigarettes here: while in Brazil I don’t know anyone who smokes regularly (parties don’t count) I’d say something like 35% of the students in my school are smokers. Also, it’s legal to smoke if your above 16 years old here and there’s a smoking area IN THE SCHOOL (!!!!!). You would probably get some weird looks if you tell a Brazilian teenager you’re a smoker (unless you’re old) but we should also take into consideration that the majority of the people that go here are from Europe, where people smoke considerably more than in Brazil.

Quality of Life

In the beginning I was astonished that I could actually walk around by myself at night in my school’s lane, which is generally very empty; I also found it strange that the buses are never too full and rarely late – in an organised way and not involving stress lol. But nothing compares to how surprised I was in relation to the public health system (NHS): the hospital’s are empty, there’s no need to make an appointment, the service is good and the medication is free (!!!) if you are 16/17 years old and a student. Well, not every cultural shock involves sacrifices…

Food

Ah, a juicy picanha with farofa, potato salad and vinaigrette… Feijoada with rice… Brigadeiro, pastel, coxinha filled with catupiry… Oops! I got distracted! hahaha Jokes apart, the food is by far the aspect of the Brazilian culture I miss the most. Even though there are many good restaurants here, the English have very bad eating habits: they have sandwiches for lunch, bacon for breakfast and eat chips as a side-dish way too often, so I struggle with food at school which isn’t as tasty as the one I used to have back home, also. If I tell you the “traditional British” food dish is fish and chips you can probably have an idea of why I say that…The good side of that is that since I moved here I have started to try more food from other countries, such as Thai food which I love now ❤ Fortunately, there’s also a good Brazilian restaurant here in Oxford.

Politeness and relationships

The British politeness is impeccable, but there’s nothing like the Brazilian warmth. The British will always greet you, thank you for the smallest things (like saying thank you to the driver when getting off the bus or when you hold the door for them), apologise for whatever might have been inconvenient etc but the Brazilians are people who will start a conversation while standing in bank queues, introduce you as “friend” 5 minutes after meeting you for the first time and be actually happy to in be able to help you in some way. Living here, I find it way easier to start a conversation with a Brazilian stranger than with people from any other nationality, something my Norwegian friend would never do, for example.

Brazilians are informal: we talk and laugh loudly, we hug and kiss our friends. The British will maybe greet you by shaking hands or just saying “hi” if you’re not close, even if the situation is informal. In fact, it’s not only the British: an American friend of mine told me that even in the United States our ways of showing affection wouldn’t be normal and that she doesn’t kiss her parents on the cheek (!!!).

Loving relationships are another mystery and I feel like they’re always very serious. From what I have observed in my friend’s relationships and from what they’ve told me, in the majority of countries they don’t have the concept of “ficar” which is apparently a stage in a relationship that formally exists only in Brazil, a period in which you’re more than friends but less than boyfriend and girlfriend. In Brazilian culture you also have to propose for someone to be your boyfriend/girlfriend (okay, the boy usually asks…) So here you just go on some dates and put! Become boyfriend and girlfriend… I also noticed people actually want stable relationships (even men do!) which isn’t always the situation in Brazil.

So, these were basically the biggest differences I noticed… Lots of things change from one country to another but this mix of cultures is what makes my stay here worth it! Leave your comments below! 😉

6 thoughts on “Choque cultural | Culture shock

  1. Kkkkk…!!!
    Quando vc chegar aqui vai ter arroz, feijão, picanha e brigadeiro todo dia!!!!
    E vou ter levar p fazer uma consulta no SUS tb 😂😂😂

    Like

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